Técnica X Comportamento: quem ganha?

Qual o curso que eu tenho que fazer para me destacar no mercado?

Essa é a pergunta que mais ouço daqueles profissionais que desejam se superar para ganhar uma promoção, para conseguir um emprego melhor ou para conquistar clientes.

Em geral buscam por pós-graduações ou outros cursos técnicos para conseguir esse diferencial. Mas será que está aí a solução para o problema?

Já ouviram aquela reclamação – poxa, o melhor profissional não foi promovido? Profissionais que geram ótimos resultados, batem metas, que não são promovidos, especialmente a cargos de liderança, não conseguem entender o que houve. Por isso é comum que acreditem que aquele que foi promovido era “puxa-saco” do chefe ou preferido por questões não profissionais.

Embora isso exista, o mais comum é que a promoção não tenha sido decidida com base em critérios técnicos. O desempenho não está ligado somente à execução técnica, mas à capacidade de se relacionar, de gerar confiança, de produzir em conjunto, de tomar decisões pensando no impacto nas pessoas e no negócio como um todo.

Sempre trabalhei bem próxima a profissionais de tecnologia da informação e acho que são um excelente exemplo para falarmos sobre esse assunto. Mas acredito que vão identificar pessoas de diversas áreas nesses casos.

Soft Skills em Áreas Técnicas como TI

Durante as avaliações de desempenho, as maiores críticas são para aqueles profissionais que veem tudo preto no branco. Vou dar um exemplo. Para desenvolver um sistema interno, que atenderia área comercial, a equipe de TI criou um lindo projeto de sistema que iria integrar todas as áreas num fluxo contínuo, mas ele não foi aprovado pelo gerente comercial. A maioria dos profissionais ficou possessa de raiva, dizendo que o gerente estava fazendo besteira e que o sistema que ele queria não seria tão bom, tão automatizado. Mas houve aquele (que posteriormente foi promovido a gerente de TI) que conseguiu entender que o sistema tecnicamente perfeito não ia atender a demanda de tempo do gerente comercial, que estava perdendo vendas e precisava urgentemente de algo que resolvesse o seu problema.

 

Outro caso muito comum é do analista de TI que fala “tecniquês”. Ele vem te explicar porque o sistema está lento ou porque não conseguem dar uma previsão de tempo para a solução e você não entende absolutamente nada. Ele se pega nos detalhes, explica demais e cansa quem está ouvindo. 

Lembro de uma profissional de contabilidade que também era assim.  Ela me deixava em pânico toda vez que dava algum erro na folha de pagamentos. A forma como ela comunicava o problema ia desde das origens e fazia parecer que era bem mais grave do que era. Afinal, para ela era grave, pois estava tecnicamente falho, mas o impacto real muitas vezes era pequeno e contornável.

 

Eu criei um método para lidar com esse tipo de personalidade. Eu fazia perguntas básicas e a pessoa deveria responder objetivamente, sem dar detalhes. O problema é grave? O que ficará prejudicado na prática? Existe uma forma de contornar o problema até que seja solucionado?

Mas o custo emocional de gerenciamento desse perfil pode ser muito alto e causar estresses desnecessários.

 

Perfis técnicos e de especialistas, geralmente focam-se muito na qualidade do trabalho a na melhor solução sob o ponto de vista técnico, no entanto, no extremo podem desconsiderar o impacto nas pessoas envolvidas e perdem assim, o senso do propósito da solução. Como o foco está em não cometer falhas, temem ser corrigidos e romper com normas, por isso explicam-se em demasia de forma que a decisão fique a encargo do outro e eles sintam que fizeram o seu trabalho com qualidade.

 

Casos como esse mostram que as Soft Skills, ou competências comportamentais são de fato um fator que diferencia os profissionais e, quanto mais alto se vai na hierarquia, mais peso a Inteligência Emocional têm no desempenho profissional.

 

Mas isso quer dizer que o Comportamento é mais importante do que a técnica para o desempenho?

Não. Mas para se tornar gerente ou um consultor, um profissional já deve ter demonstrado que consegue executar as atividades inerentes a uma área. Ao entrar numa empresa as hard skills (competências técnicas) são muito testadas e valorizadas.

 

Nas etapas iniciais de carreira, onde o foco está na tarefa, as hard skills são muito importantes e os comportamentos são menos investigados. Isso acontece até mesmo nas áreas que lidam com pessoas, mas muitas vezes são completamente desconsideradas nas áreas técnicas.

 

Dessa forma, a Inteligência Emocional torna-se um grande diferencial, pois são poucos aqueles que dão a devida atenção a esse fato, especialmente nas áreas mais técnicas como Tecnologia da Informação (IT). A variação na habilidade de se relacionar e interagir com os outros é muito maior do que na competência para execução técnica do trabalho, o que torna a Inteligência Emocional o grande destaque.

 

No seu livro Trabalhando com Inteligência Emocional, Daniel Goleman deixa isso bem claro:

 

“A diferença entre aqueles que estão no topo e na base da escala de Inteligência Emocional é muito grande, e estar no topo confere uma enorme vantagem competitiva. Assim, as Soft Skills importam ainda mais nas áreas técnicas para o sucesso” 

 

Segundo uma pesquisa analisada pelo autor, há uma diferença de 320% na produtividade entre aqueles profissionais de TI que estão no topo (10% melhores) e a média.

O segredo desses profissionais está na escuta ativa das demandas de um cliente, na capacidade de trabalhar em equipe de forma cooperativa e na boa comunicação com outras áreas e com clientes.

 

Como Conseguir esse Diferencial? Como Desenvolver a Inteligência Emocional?

A boa notícia é que a Inteligência Emocional pode ser desenvolvida. Ela na verdade faz parte da maturidade emocional. Com o tempo, vamos nos tornando mais capazes de gerenciar nosso humor, de lidar melhor com nossas emoções e frustrações e de empatizar e nos relacionar melhor com os outros.

 

Mas para algumas pessoas esse processo pode ser mais lento, ou pode-se ficar estagnado de forma prejudicial à vida pessoal e profissional. Nesses casos é necessário ser mais proativo no desenvolvimento emocional.

 

O primeiro passo é mudar a forma como percebe seu desempenho e largar o paradigma tecnicista.

Não quero dizer aqui que não precise se atualizar, nem se capacitar tecnicamente naquilo que perceber que é importante para sua profissão e seu desempenho, mas vamos focar agora no que te dará o maior diferencial que são as competências emocionais. Conscientize-se do prejuízo que a falta de competências emocionais têm feito na sua carreira. 

 

O segundo passo é fazer uma avaliação honesta de sua Inteligência Emocional. Identificar as soft skills mais importantes para sua carreira e entender exatamente como elas precisam ser manifestas no dia-a-dia. Para quem é técnico essa não é uma tarefa tão difícil, trata-se, na verdade, de tornar o subjetivo mais objetivo e observável.

 

O terceiro passo é entrar em ação. Não basta conhecer os conceitos envolvidos em cada uma das competências emocionais. Não basta saber o que é empatia para entender e aceitar os pontos de vista e realidade dos outros, mas sim exercitar e praticar isso na vida diária. Identificar os comportamentos desejáveis e praticá-los, percebendo a forma como se sente. E isso não significa mudar de personalidade, nem seguir uma fórmula, mas aprender a se observar e encontrar a sua forma específica de se relacionar, de enfrentar seus medos, de lidar com sua personalidade.

 

Enfim, mudar dá trabalho, mas realmente compensa e, pelo que vimos nas pesquisas, compensa até mesmo financeiramente.

 

Se precisar de ajuda nessa jornada, conte comigo! 😉

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