Transição de Carreira – Como dissipar as dúvidas

Hoje estou partindo para a terceira transição de carreira na minha vida duas das quais foram bem planejadas e executadas. Por isso pensei em compartilhar a minha experiência com aqueles que não estão satisfeitos com a vida profissional e acreditam que há algo mais do que trazer o sustento para casa. Quero também mostrar como a transição de carreira pode ser um movimento planejado em busca de maior realização profissional e, em última instância, de realização pessoal.

A Minha Primeira Transição de Carreira

Conforme comentei, duas das minhas transições de carreira foram planejadas, mas não foi assim da primeira vez. Tudo começou com uma grande insatisfação com a vida que eu estava levando.

Eu nunca havia imaginado em trabalhar com outra coisa a não ser clinicando em psicologia, tinha inclusive muito preconceito com a área de RH a qual eu mal conhecia na realidade.

Na época eu era psicóloga clínica, atendia em vários consultórios. Gostava muito do que fazia, mas o rendimento que eu tinha com o consultório era muito baixo. Especialmente depois que tive a Sofia as coisas ficaram mais complicadas financeiramente.

O mais engraçado é que nessa época eu estava envolvida com trabalhos corporativos, já tinha feito psicopedagogia e estava trabalhando com treinamentos em grupo e com diagnósticos institucionais, onde eu podia entender porque a organização não estava funcionando como deveria, a partir da visão das crenças e motivações de seus fundadores e da equipe.

Se você leu meu artigo Sobre a Minha Missão de Vida já sabe que eu não considerava a hipótese de trabalhar com RH. Mas aí o questionamento, o que eu estava fazendo não estava mais ligado ao RH do que à Clínica? E o mais surpreendente de tudo… eu estava adorando.

Impressionante como eu não consegui perceber isso antes! Já estava fazendo uma transição de carreira sem perceber.

Eu amava trabalhar com equipes, montar projetos e fazer diagnósticos institucionais e mesmo assim ainda achava um pesadelo pensar em trabalhar com o RH. E por isso eu fiquei paralisada, sem conseguir ver uma alternativa à clínica.

Mas a vida foi me levando para caminhos diferentes, e insistir nessa opção realmente não parecia muito inteligente. Como eu sempre fui muito focada em resultados eu percebia claramente que não estava chegando aonde eu queria chegar, mas relutava muito em aceitar outras alternativas .

O Insight para a Mudança

O que mudou, então? A dúvida que bloqueava a minha visão desse caminho estava ligada ao preconceito. Eu não via que a minha visão do RH era preconceituosa. Na verdade eu nem sabia direito o que fazia um analista de RH, e eu só consegui colocar essa hipótese como uma escolha quando eu resolvi olhar para dentro e analisar tudo o que eu adorava fazer, e quais trabalhos poderiam me trazer realização.

A dúvida se dissipou como uma nuvem, porque eu resolvi encarar a mim mesma, com coragem para ver minhas falhas, meus preconceitos e para abrir mão de uma certeza que me limitava (a certeza era: só a Psicologia Clínica vai me realizar) e porque eu resolvi olhar cada opção que eu tinha mais de perto, procurando realmente investigar e ter a minha própria opinião.

Eu descobri que só temos dúvidas quando não temos clareza, ou de nós mesmos ou das opções e cenários.

Temos muitos mais competências e talentos do que imaginamos. Temos a capacidade de sermos flexíveis e de nos reinventarmos, basta termos coragem para enfrentar nossas crenças e preconceitos.

A partir daí, dessa quebra total da minha certeza, eu comecei a duvidar e analisar tudo, colocando vários cenários e vendo as opções para cada coisa, mesmo as coisas que parecem absurdas no começo. Essa forma de pensar mudou tanto meu MINDSET que foi incorporada no meu discurso de tal forma que as pessoas começaram a me procurar quando tinham dúvidas paralisantes.

Como Dissipar as Dúvidas

As dúvidas são maravilhosas, elas fazem com que a gente se desenvolva, mude para nos adaptarmos aos novos cenários e realidades que a vida apresenta. Mas se ela se torna um obstáculo, se ela te paralisa, é porque é preciso colocar luz em algum lugar.

Quem tem dúvidas tem possibilidades, mas seu bem sei que as escolhas são difíceis. Nos sentimos perdidos nesse mar de opções, especialmente hoje que cada dia aparece uma nova atividade profissional e que outras estão prestes a morrer com o advento da Inteligência Artificial.

Podemos duvidar de nós mesmos, de nossas capacidades. Podemos não conseguir perceber as possibilidades à nossa frente, porque estamos limitados a uma visão muito fechada de nós mesmos

Geralmente começar pelo lado de dentro é uma boa ideia.

Eu já escrevi um artigo aqui sobre nossos Pontos Cegos, porque todos nós temos os nossos. E o autoconhecimento é certamente a primeira fase de uma transição de carreira segura e feliz, com amorosidade.

Clareando nossa forma de pensar, as opções começam a se abrir automaticamente e pesquisar mais a fundo cada uma delas passa a ser fácil.

Quando falamos de autoconhecimento parece algo muito amplo e sem forma. O que eu quero dizer aqui é que cada um precisa criar critério próprios de tomada de decisão que estarão baseados em seus valores, no padrão e estilo de vida que deseja e onde possa usar seus talentos e paixões.

No meu caso usei talentos que eu nem percebia que tinha e encontrei uma possibilidade para aproveitar também a minha formação e ainda obter o padrão de vida que eu precisava naquele momento. Fui de peito aberto e encontrei uma paixão no RH que veio da minha paixão por encontrar soluções, lidar com pessoas e trabalhar com desenvolvimento humano.

Não há uma fórmula, mas há método. A questão é saber onde procurar.

O que me lembra uma parábola de Nasrudin na qual ele estava procurando a chave de sua casa, que tinha perdido, e pediu ajuda para encontrá-la. Em certo momento, depois de muito tempo procurando, várias pessoas já estavam ali ajudando e uma delas o questionou se ele estava certo de ter perdido a chave por ali, no entorno da casa.

Foi então que ele disse: – não! Eu sei que perdi a chave dentro de casa, mas lá estava escuro e aqui está claro…

Ou seja, precisamos olhar para dentro para encontrar a nossa felicidade, de outra forma sempre buscaremos a chave no lugar errado.

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